terça-feira, 28 de abril de 2015

Já não me importo

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 Já não me importo
 Até com o que amo ou creio amar. 
Sou um navio que chegou a um porto
 E cujo movimento é ali estar.
 Nada me resta Do que quis ou achei.
 Cheguei da festa Como fui para lá ou ainda irei Indiferente 
A quem sou ou suponho que mal sou, Fito a gente
 Que me rodeia e sempre rodeou, Com um olhar 
Que, sem o poder ver, Sei que é sem ar De olhar a valer.
 E só me não cansa O que a brisa me traz 
De súbita mudança No que nada me faz.
 Fernando Pessoa
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